Parece saudável, mas não é!

1 mar

Enquanto não sou rica e não tenho minha própria fazenda para plantar minha horta particular, comer somente alimentos orgânicos e certificados, faço o que posso para manter a alimentação da minha família saudável.

Tenho pensado muito sobre a questão da alimentação ultimamente. Não apenas para mim (preciso perder uns muitos quilos…) e maridão mas, principalmente, porque sou responsável pela saúde e pelos hábitos alimentares do meu bebê, de apenas 13 meses. E isso terá reflexos nos hábitos dele para o resto da vida…

Li há alguns dias, um artigo na Revista Crescer (leia aqui) que me chamou a atenção. Muitos alimentos que parecem inofensivos para nossos bebês ou nossas crianças são, na verdade, nada saudáveis! Aposto que pelo menos 1 alimento dessa lista vai te surpreender. Veja só:

1 – Barrinha de cereais
Elas prometem ser uma ótima opção para o lanche das crianças porque são práticas de armazenar e contêm fibras – nutrientes que aumentam a sensação de saciedade, dão energia e ajudam no funcionamento do intestino e na absorção de gorduras. Pelo menos na teoria. Especialistas alertam que muitas das barrinhas de cereais que existem no mercado são, na verdade, ricas em açúcar e sódio. Para saber se a que você compra é assim, leia e compare os ingredientes que estão no rótulo. O que vem primeiro é o que está em maior quantidade, então procure marcas em que a fibra esteja no começo da lista. Prefira as de fruta, que são menos gordurosas, e as que contêm flocos de milho, mel, aveia e castanhas. “Também fique de olho porque a lecitina de soja, substância usada para dar liga no alimento, pode causar alergia nas crianças”, alerta a nutricionista Elaine Pádua, autora do livro O Que Tem no Prato do Seu Filho? – Um Guia Prático de Nutrição Para os Pais (Ed. Alles Trade). Você pode fazer uma barrinha mais natural em casa ou substituí-la pela bananada (doce de banana em massa) sem açúcar, que também tem fibra e mais vitaminas. Nesse caso, a banana não é desidratada, como na barrinha, mantendo seus nutrientes.

2 – Suco de caixinha
Algumas dessas bebidas, também chamadas de néctar de fruta, têm tanto quanto ou até mais açúcar do que os refrigerantes. São até duas colheres de sopa a cada 200 ml, além de uma quantidade grande de sódio, substância que, em excesso, pode sobrecarregar os rins e aumentar as chances de a criança ter pressão alta no futuro. Os corantes e aromas também aparecem no suco de caixinha (inclusive nos de soja), ou seja, mais química ainda. A saída é alterná-lo com o suco natural (ou água mesmo!). Você pode dar o industrializado no lanche, por exemplo, e o caseiro, no jantar. Na lancheira térmica, o suco natural dura até três horas sem estragar. Olha a dica: Para aumentar a duração da bebida, misture-a com água de coco, que retarda o processo de oxidação, é um hidratante natural e não tem muito sódio nem na versão das prateleiras. Outra alternativa são os sucos prontos integrais, que não têm açúcar e só precisam ser dissolvidos em água. Mas não abuse. Qualquer tipo de suco deve ser consumido no máximo duas vezes ao dia, pois são calóricos – pense que, para fazer apenas um copo do de laranja, é preciso três frutas! Ofereça a fruta ao invés do suco!!!

3 – Peito de peru
Apesar de ser visto como uma alternativa melhor do que o presunto, os dois têm a mesma quantidade de sódio e gordura porque são uma mistura de carne e pele (eca!) do animal. Para conservar o produto, as indústrias usam nitritos e nitratos, substâncias químicas que, segundo algumas pesquisas, podem causar câncer se consumidas por muito tempo. Por isso, libere esses alimentos embutidos ou processados (e, nessa categoria, entra também a salsicha e a mortadela) apenas uma vez por semana, de preferência a versão sem capa de gordura.

4 – Sobremesa láctea (tipo “danoninho“)
As sobremesas lácteas (como o queijo petit suisse, ou aquelas sabor chocolate, baunilha…), fazem sucesso com as crianças porque são bem docinhas e saborosas. Mas não se engane pela aparência de iogurte, pois elas têm bem menos quantidade de cálcio – um mineral essencial para o crescimento e fortalecimento dos ossos, dentes e cabelos. Além disso, esses produtos são gordurosos e têm pouca proteína. “No lugar da fruta, mais nutritiva, muitos contêm aromas e corantes artificiais, que devem ser evitados nos primeiros anos de vida pois estão relacionados a uma série de problemas – de alergia à hiperatividade”, afirma Elaine Pádua. Ela explica que os corantes amarelos e vermelhos são os mais perigosos. É claro que seu filho vai querer comer essas guloseimas de vez em quando. Porém, sempre que possível, substitua por uma mistura de iogurte natural com a fruta que ele mais gosta. Basta bater essa combinação no liquidificador ou amassá-la com um garfo. Se o seu filho quiser algo mais doce, coloque açúcar mascavo. Essa preparação deve ser consumida entre 30 minutos e 1 hora.

5 – Leite de soja
A soja é classificada como um alimento saudável, mas nem sempre é uma boa ideia oferecê-la para as crianças. Isso porque pode ser tão alergênica quanto a lactose, presente no leite de vaca. “A soja é uma proteína de difícil digestão, por isso, pode causar alergias alimentares em crianças menores de dois anos, que têm um sistema digestivo imaturo”, afirma a nutricionista Santhi Karavias, do projeto Lancheira Saudável, em São Paulo. Alguns especialistas até questionam o nome “leite”, já que ele não oferece os mesmos nutrientes, como os aminoácidos e o cálcio. Se o seu filho tem intolerância à lactose, você já encontra bebidas com adição de cálcio. Também vale substituir por leite de arroz, amêndoa e de cabra.

6 – Bisnaguinha
Ela é molinha e fofinha graças a muuuita gordura hidrogenada! Esse tipo de pão é feito de farinha branca e açúcar, ou seja, tem poucos nutrientes e nada de fibras. Não faz mal oferecê-lo uma vez por semana, mas, nos outros dias, opte pela versão integral ou de fôrma, recheando com requeijão ou até geleia, contanto que seja sem açúcar. Os pães de padaria ou feitos em casa, naquelas panificadoras portáteis, também são ótimos substitutos, pois têm menos conservantes. Outra opção rápida e saudável: minipizza de pão sírio! Chame seu filho para ajudar você a montar essa delícia com muçarela de búfala, queijo prato ou queijo branco, tomate – pode ser o cereja, que as crianças adoram – e algumas folhinhas de manjericão fresco. Aí, é só colocar no forno em fogo baixo por 15 minutos e se deliciar.

7 – Frozen yogurt
Eles parecem saudáveis por conta do iogurte, que tem pouca gordura e é fonte de cálcio. Realmente são uma boa opção, mas só se a marca de frozen usar iogurte de verdade em sua formulação. “Esse ingrediente é bom porque é natural e não tem aromatizante”, explica Santhi Karavias, do projeto Lancheira Saudável (SP). Em 2011, o Proteste analisou 8 (oito) lojas e constatou que apenas 1 (uma) usava mesmo a bebida láctea, enquanto as outras misturavam sorvete comum ou à base de iogurte. “Esses últimos têm gordura saturada e trans, que aumentam o colesterol ruim e ainda diminuem o bom”, completa Santhi. Para se proteger dos “falsos”, analise o rótulo (quando tiver) e pergunte a porcentagem de gordura (quanto mais próxima de zero, melhor). Ah, e controle as coberturas escolhidas pelo seu filho, que costumam ser uma bomba calórica.

8 – Cereal matinal
Já reparou no que sobra no saquinho quando acaba o cereal do seu filho? Açúcar puro. Pode ser uma boa fonte de energia, já que cada grão do cereal é um grão de milho, mas só. “É possível conseguir a mesma quantidade de carboidratos em outros alimentos, como pão integral e mingau”, explica a nutricionista Priscila Maximino, da Nutrociência, que presta assessoria nutricional, em São Paulo. Há, no entanto, opções sem açúcar (em geral, destinadas aos adultos). Você pode adicionar uma fruta, como banana ou morango, para deixar a mistura mais docinha. Depois que seu filho tiver um ano, também dá para usar mel. Se quiser usar açúcar mesmo, prefira o cristal (uma colher de chá basta), que é menos processado do que o refinado.

9 – Empanados de frango 
Parece carne de frango, mas o empanado é o que os nutricionistas chamam de compensado, uma mistura de ingredientes nada nutritivos, como partes de frango, pele (eca!), farinha e leite em pó. Então, mesmo que você faça assado em vez de frito, ele não é saudável. Para piorar, o que dá gosto à mistura é o glutamato monossódico. “A substância realça o sabor e interfere no paladar da criança, deixando a papila gustativa acostumada a esse tipo de alimento”, conta a nutricionista funcional Gabriela Maia, do Rio de Janeiro. Muitas vezes o empanado industrializado é usado como substituto da carne de boi ou de frango, que são proteínas completas. Só que eles não são equivalentes. Uma opção é fazê-lo em casa. Não tem tempo? Então, para suprir a quantidade de proteínas da carne, que tal cozinhar cerca de quatro ovos de codorna? O preparo vai levar os mesmos cinco a dez minutos.

10 – Produtos light e diet
Se você tinha a impressão de que poderia consumi-los sem restrições, esqueça! Para crianças (e grávidas), os diet e os light são indicados apenas em casos de doenças como obesidade e diabetes. Achar que eles podem ser servidos à vontade, já que têm menos açúcar e gordura, é um erro. “Isso porque o fabricante adiciona sódio para manter o sabor. Então, melhor ingerir uma quantidade menor da versão tradicional do que o dobro da light”, orienta Virginia Weffort, nutróloga do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). E a criança precisa de energia para crescer, então não é indicado tirar totalmente o açúcar da dieta – lembrando que ele é encontrado em vários alimentos, como frutas e massas.

(por Fernanda Carpegiani, Revista Crescer)

E você comprando essas coisas achando que estava fazendo um bem para a saúde do seu filho, né?! …

Eu acrescentaria o fato da gelatina conter um monte de açúcares e corantes artificiais e a papinha industrializada conter bastante sal! Não são assim tão inofensivos, hein?!

Ui, ficou com preguiça de preparar ou cozinhar alguma coisa mais saudável pro seu filho? É, né…Quem disse que ser pai ou mãe era fácil???

Além disso, essa semana assisti ao excelente documentário “Muito além do peso” (assista o filme pelo site oficial aqui, gratuitamente, ou veja no final desse post) e fiquei extremamente preocupada com os hábitos alimentares das crianças brasileiras. A epidemia da obesidade infantil atingiu preocupantes 33% das nossas crianças.

Alguma coisa precisa ser feita. Algo tem que mudar. Não podemos deixar que hábitos saudáveis e naturais sejam vistos como exceção. Eu mesma sou freqüentemente criticada por não adicionar sal ou açúcar à dieta do meu bebê e nem oferecer a ele alimentos processados ou sucos artificiais (que, se você assistir ao documentário vai descobrir que, na verdade, o “suco artificial” tem apenas 1% de suco. O resto é porcaria). Parece mentira mas muita gente acha que é frescura…

Como eu acredito que a melhor arma é a informação e o conhecimento, nada melhor do que assistir ao documentário inteiro e refletir, discutir com sua família, amigos, os professores do seu filho, enfim, tentar não nos deixar enganar por campanhas publicitárias milionárias e fazer escolhas saudáveis pra nós e para nossos filhos! Ah, e leiam rótulos! Sempre!

Bebê e seu bifinho

Bebê e seu bifinho

Um bom final de semana a todos e até semana que vem!

MUITO ALÉM DO PESO:

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5 Respostas to “Parece saudável, mas não é!”

  1. Fran Santos 1 de março de 2013 às 10:16 #

    Concordo em gênero, número e grau!

  2. Zelda Castro Alves 1 de março de 2013 às 19:16 #

    Realmente a melhor arma é a informação!!! Cada dia aprendo mais um pouquinho e vejo quanta bobagem fiz na alimentação de vcs…(meus filhos) e muitas vezes mal orientada por profissionais e outras por ignorância mesmo.

    • Nádia Milhomens 2 de março de 2013 às 0:06 #

      Oferecer “bobagens” e “guloseimas” às crianças faz parte! O importante é não virar hábito, não fazer parte da dieta das crianças… É triste ver crianças devorando pacotes de bolachas recheadas e só tomando suco de caixinha…

      • Maria Célia 9 de março de 2013 às 13:26 #

        E penso como você, amiga. Enquanto for possível, melhor evitar açúcar, sal e todos esses produtos artificiais. Uma hora será inevitável, mas sendo só de vez em quando não vai prejudicar a saúde do bebê. Agora, criança “almoçar” bolacha é um crime!

Trackbacks/Pingbacks

  1. Food Revolution Day | Enquanto não sou rica - 17 de maio de 2013

    […] um pouco sobre isso quando escrevi sobre alguns hábitos de alimentação saudável para crianças aqui, […]

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